Faltavam quinze minutos para subir ao analista e ele já estava em plena praça. Como era bom andar sem rumo. Passa das seis da noite, é pleno o maio. Vê os velhos crianças e caminha em direção a um banco. Se permite sentir medo e recusa o possível incômodo de um pedinte; pede um sorvete na lanchonete e sente à frente da loja, um jovem cabeludo toca acordeon. La vie en rose. Os acordes finais se perdem entre o barulho dos carros ao mesmo tempo em que desmancha em sua boca o último pedaço da casquinha.
Dezoito e vinte e cinco, não quer se atrasar. Não desta vez. Não enquanto estava impregnado da sorte de, sem procurar, ter esbarrado na poesia que brota entre as pedras da calçada.
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