ENVEREDANDO-SE ATRAVÉS DA AUDÁCIA

Por vezes penso poderia morrer tranqüilo, que o que já vivi me basta. Ou não. Pois, pensando melhor, se meus breves longos vinte e poucos anos considerei tão profícuos, os próximos quarenta devem prometer muito mais.
Esta aparente tranqüilidade pretende obliterar, em verdade, meu medo diante da morte. Julguei melhor acostumar-me a nela pensar do que afastá-la de minhas especulações. Mas está a desdita presente mais por aversão que por serenidade. Porquanto ora me entrego às veleidades.

Notas de Viagem (XV)

Santo Antônio, Aperibé:
medos são só tamanhos
mãe voeira, filho fanho
quase viramos manés.

Notas de Viagem (XIV)

Brasília (III):
aqui, só penso lá
o melhor de ir
será voltar

Notas de Viagem (XIII)

Brasília (II):
cemitério do futuro
onde o poder, soçobrado
repousará, qual nuvem fria

Suposto sol de uma era
Tua luz, em verdade, jaz
nas cidades satélites
nos candangos marginais