Puta que nos pariu, morreu o Lobo!

Rafael Maieiro


O passarinho tem um modo
Sorridente de chorar
Transforma o ogre
Num palhaço impopular
F.W.

Peço licenças atrasadas pelo xingamento. Aos que se chocaram, minhas pouco sinceras condolências. Morreu um comunista. Mais: um álcoolotra! Mais isso: um gênio da crônica, um gênio da vida! Mais, bem mais: uma pessoa pela qual eu mantinha um amor platônico (leiam a A Carvena, depois tirem conclusões). Marcarão um cruz naquela pedra, algumas palavras, nada mais. Nunca mais juntará suas letrinhas criando chumbos indispensáveis ou anjas com asinhas, algodão. A Fera, o Lobo, o Soldado-álcoolotra: morreu morreu morreu, gritem comigo, morreu morreu, morreu o Fausto! Te chamo, Fausto, te clamo: E agora, Lobo? Lobo, e agora, o que faremos?

Comprei uma garrafa de uísque e decidi escrever esse texto. Repito-te, de cuecas com um litro, escrevendo minha decepção com o mundo, com o estado de ser e com os estados do ser. Bêbado, Fausto, choro choro por lembrar de ti. Choro, agora, por não ter mais a possibilidade de um dia tomar um porre contigo. Morro um muito contigo. Como você foi deixar o Aldir, os Carusos, o Jaguar, o safado do Ziraldo, porra Fausto, como você foi me deixar? O Manoel deve ter chorado, sabia? Fausto, por quê? Por quê? Você responde, por certo, citando Sigmund: Porque sim, seu Bicha!


Agora, falando francamente.
F.W.

Medo, tédio, porre.
Às vezes, sem mulher,
me dá na venta
Uma punheta.
Porre, medo, tédio.
Uma fatal idade.
Tédio, porre, medo.
Ninguém me socorre.
Da falta de curiosa idade.
Arremedo.
Foragido da insônia,
sou engolido pelo pesadelo.
Garçom, por favor,
Uísque com gelo.


É... Fausto, por favor, um Uísque com gelo. O infinito é confortável? Precisa-se beber por aí? Aí tem uísque e gelo? Precisando, te mando, é só escrever... Ai, Fausto, ainda bem que temos imaginação. Amigo, parafraseando o Julio:

Três dias depois do enterro chegou a última carta de Albino, na qual, como sempre, perguntava pela saúde de Fausto. Ziraldo, que a recebera, abriu-a e começou a lê-la sem pensar e, quando levantou os olhos, porque de repente as lágrimas o cegavam, percebeu que enquanto lia a carta estivera pesando de que forma haveriam de dar a Albino a notícia da morte de Fausto. Sigmund e Jaguar reponderam: Puta que nos pariu, o Lobo o morreu! Nos encontraremos no Bar Brasil...

E, infelizmente, é assim. Sem gelo, por favor...

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