Maio, 1968

Foi aquele um dia
claro de agosto
em dois mil e oito
quando cantou - e cantei junto
a vida
solitário, entre
meus companheiros
de copo e de cruz.
Deu-se o tom
da dor
do amor e da vida
clara, de tão escura
olhamos o céu
e vimos a brisa
do entardecer daquele mês.
Estávamos puros de toda
alquimia
da afronta da hipocrisia
éramos nós
estávamos todos
a ser ninguém
compartilhávamos o íntimo
do absurdo
dedilhávamos o ínfimo
do obscuro
sentir que os limites
nada mais são
do que barreiras sórdidas
a serem, solenemente,
ignoradas.

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