A noite naquele bairro - embora nobre - parecia perigosa. Entrei na casa. Passos de homem, olhos de criança. De um lado, mulheres reunidas em apartheid. Do outro, o que importava, pessoas a quem fui apresentado.
Ajeitei-me no sofá ao lado de uma planta artificial (aliás, como tudo o mais). O homenageado contou suas histórias. Todos riram com a boca do estômago, embora soubessem que a boca do estômago não ri. Mas ali, corpos eram reinventados. Uísque caro e filosofia barata embriagavam os sentidos vazios daquelas vidas sem sentido. E assim, cheias de lânguidas sensações.
Aquela noite entrou para a história - é aquela história, jamais será contada. Pois aquela história logo em seguida foi esquecida, graças à noite seguinte, igual àquela, que igualmente entrará para a história. Porque jamais será contada. Afinal, nem foi vivida.
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