Ferreira, Bandeira, Drummond

I

--------motores
-------- mitocôndrias
------- bactérias
------_vento
e mísseis israelenses
--seguem seus tristes destinos

Nos becos
---- mansões
---- sarjetas
----------------pulsa o alarde imóvel
im plena captal
do reino unido d'lgarve
brsil e prtgal

----carboidratos
--------- óleo diesel
--------- oxigênio, pólvora
---------------------------e urânio
se consomem
as almas, de cadentes
---------------------------somem

Um imenso nevoeiro cobria aquela velha baía da guanabara.


II

Nas águas da baía
deito fora a esperança
viagem longa, noite fria
em pleno sol a vil lembrança

Ficou de fora o olhar macio
Corpo alvo na memória
com timidez e passo esguio
por um momento a vida inglória

Branca, branca, branca, branca
brando toque sobre a anca
alva, negra, rubra, branca
indigitada moça é a história

Nas águas da baía
refletida, foi-se embora.


III

Será que sonhei de novo
o mesmo sonho de outrora
ou seria sutil farsa
isto, o que vivo agora?

Pressinto não ser quimera
embora insista arredia
Pois sempre ao me ver, sorria
já eu corava na espera.

Da cena de uma novela
indiscreta, singular
dirigida por aquela
que me fez descreditar

o tempo, urge a tragédia
ronda dos reles mortais
frente à merda, de tudo mais
despidos, somos comédia.

1 comentários:

Felipe Eugênio disse...

uma epopéia dá aqui seus primeiros movimentos!
atropela a tudo, sem clemência.